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A vida é essencialmente experimental

Patrícia Lima

A vida é essencialmente experimental. É preciso correr, chorar, sorrir, sofrer, ficar. Ignore julgamentos, hipocrisias, medos. Tenha bom senso e não repressão. É preciso ação para viver.

A vida é para aprender a sermos livres. Livres dos gostos e desgostos e de todas as dualidades da existência. A liberdade é algo que conquistamos incansavelmente a cada instante não negando nossos desejos e aversões e sim compreendendo seus fundamentos. O que eu quero, por que eu quero; o que eu rejeito e suas razões. É preciso sentir cada emoção, cada momento.

Sem torná-las únicas, absolutas. Por traz de cada emoção há uma mente que às vezes mente. E por traz de toda mente há sempre a consciência que é inteligente, discriminadora, seletiva e nunca conceitua. É essa consciência que temos que aprender a acessar quando a emoção surge, nos dominando e às vezes nos escravizando. Se deixarmos, a consciência sempre vai nos falar algo, nos mostrar as ilusões que criamos e deixamos surgir na nossa mente. Até mesmo a mente necessita de pausas. Diminuir o diálogo mental descansa, acalma e nos faz ouvir nossa intuição. E a consciência não nos proíbe nada. Ela nos mostra que o prazer é sedento, e a felicidade gerada por ele não é um fim em si mesmo. Toda satisfação proveniente do prazer é finita. Mas é preciso submeter-se à prova e não rejeitar a experiência. É preciso descobrir até aonde posso ir, a experiência é pessoal. E não adiantar pular as etapas da vida, o yoga nos ensina que não é tão simples, é necessário cumprir as quatro metas da vida: cumprir o nosso dever, segundo nossas inclinações (dharma), desfrutar dos sentidos (kama), satisfazer-se materialmente, prosperidade (artha) e a mais nobre delas, a libertação (moksa), que nos ensina a não sermos mais escravos dos sentidos, que a necessidade de satisfação dos desejos não tem fim e, que tudo nesse mundo é transitório e dual. O problema é que muitos de nós só pensamos em cumprir uma, duas ou três dessas metas, excluindo moksa. E aí vêm as frustrações, ansiedades, medos e toda a gama de sofrimento inerente à condição humana.

Não estamos nesse mundo por acaso. É necessário viver conscientemente cada meta, estar presente em todas as situações da vida. Aprender a olhar para o momento presente. A verdadeira felicidade, satisfação acontecem quando não a procuro em lugar nenhum. Simplesmente paro de procurar e vivencio cada instante como se fosse único.


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