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Mantra infalível!!!

Patrícia Lima

A definição de yoga, segundo Patanjali é a cessação das ondulações da mente. Mas o que provoca essas ondulações? Quando começamos a praticar yoga percebemos claramente que um dos grandes geradores de ondulações da mente são os nossos sentidos! Eles são os responsáveis pela nossa interação com o mundo material e conseqüentemente são canais pelos quais nos apegamos excessivamente à matéria. Patanjali, nos seus Yogas Sutras, define vairagya como desapego, ausência de desejos pelos objetos vistos ou ouvidos.  Mas por que nós, praticantes de yoga precisamos desse tal de vairagya? Afinal de contas, sem a emoção da satisfação a vida não tem graça!Todo mundo precisa de vairagya em suas vidas. Os nossos desejos não têm fim. Sempre estamos tentando satisfazer um deles, que, na maioria das vezes só traz uma sensação momentânea de felicidade ( às vezes com arrependimentos posteriores).

A satisfação desenfreada dos desejos não torna as nossas vidas perfeitas. A falta de consciência disso nos leva cada vez mais a um desejo 'satisfeito' que pode se transformar num hábito que por sua vez pode se transformar num vício. E assim vamos nos tornando reféns da nossa própria mente e dos nossos sentidos. Mas como não nos tornarmos subjugados à eles? Se não temos a habilidade de não nos rendermos a determinados impulsos espontaneamente, temos que admitir a nossa imaturidade diante da questão em si. Essa maturidade necessária é uma conquista e, como toda conquista, requer muita dedicação. Quando falo com os alunos sobre  vairagya como o grande segredo do yoga, sugiro uma seqüência de ações importantes:

1) Faça uma reflexão sobre qual a dimensão da sua vontade de mudança em relação a qualquer conflito na sua vida. Sem um desejo ardente motivador os resultados não serão obtidos.

2)  Devemos nos manter afastados dos objetos que nos atraem. Isso mesmo: evitar tê-los ao alcance dos olhos, ouvidos, boca, mãos, pés e pernas.

Uma aluna após uma discussão sobre o tema disse que tudo isso ela aplicava em relação à dieta, dizia que em sua  casa  não tinha nenhum alimento 'proibido' para que ela não ficasse tentada. Mas, o problema era fora de casa. Impossível não resistir às tentações durante o trabalho 'afinal de contas, eu mereço...isso aqui é uma loucura...' Sempre temos mecanismos para nos defender da nossa incapacidade de resistir à um bolo de chocolate,  uma bolsa nova, um celular de última geração... Compensações que, segundo Lair Ribeiro, sempre geram  deformações ( nesses casos: no corpo e no bolso!) Então resolvi ensinar para os alunos um 'mantra' infalível para nos livrarmos das tentações (todos ficam atentos e ansiosos para saber qual o 'mantra infalível'). Esse mantra não é em sânscrito, é bem fácil de repetí-lo e é bem conhecido por todos: NÃO. É isso mesmo que você está lendo...Não, não, não, não...Se você se deparar com uma situação que precisa evitar, simplesmente diga 'não' antes de consumar o ato e responda a pergunta: que diferença isso vai fazer na minha vida? (E rapidamente você mesmo responde: nenhuma. Não permita que a sua mente interfira nesse diálogo entre você e você mesmo. Não deixe espaço para que a sua mente dê palpites - pode acreditar: se você deixar ela tentará te influenciar). O bom e velho 'não' pode ser um grande mestre para você diante daquela bolsa da vitrine, daquele bolo de chocolate da lanchonete... É simples assim. Não existe fórmula mágica,  pílula milagrosa ou mantra infalível para  que possamos resolver os nossos dilemas. Enquanto não conseguirmos compreender o sentido profundo de vairagya temos que utilizar artifícios para não nos deixar escravizar pelos sentidos e pela mente.


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